Origem e História do Carisma Vicentino

img-20190121-wa0004img-20190121-wa0007img-20190121-wa0002A Companhia, fundada no século XVII por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, é conhecida na Igreja pelo nome de Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Servas dos Pobres. (c.1.1)

São Vicente dizia às Irmãs: “Tende presente: foi o povo, ao ver o que fazeis e o serviço que nossas primeiras Irmãs prestavam aos Pobres, que vos deu tal nome; este permaneceu como característico de vossa atividade” (S. V.P. 04.03. J 658).

A Companhia das Filhas da Caridade é uma Sociedade de Vida Apostólica em comunidade, que assume os Conselhos Evangélicos de castidade, pobreza e obediência, conforme suas constituições e estatutos, para servir corporal e espiritualmente os Pobres, vendo neles a pessoa de Jesus Cristo Crucificado.

O início da Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo foi muito simples e inesperado: Uma família do Vilarejo, hoje cidade de CHATILLON – SUR – CHALARONNE, estava ameaçada pela doença e na casa não havia nenhuma pessoa em condições de dar assistência aos doentes.

Durante a Missa, São Vicente recomenda esta família necessitada aos fiéis. E à tarde, quando ele mesmo vai visitar a família, ele encontra uma multidão de pessoas indo e vindo. São Vicente entendeu o sinal de Deus: tão somente é necessário canalizar e organizar esta caridade que as pessoas já trazem no coração. Neste dia nasceu a Confraria das Senhoras da Caridade. São Vicente descobriu a miséria material e espiritual de sua época e consagrou sua vida ao serviço e à evangelização dos pobres.

A 29 de Novembro de 1633 as (4) quatro primeiras Irmãs se reúnem com Luiza para viver um mesmo ideal, em comunidade fraterna. Seis meses depois já são (12) doze. Foi uma novidade na época, pois até então só havia vida consagrada em clausura. E agora elas vivem no meio do povo, indo à casa dos pobres para atender os doentes. Depois, à medida das necessidades, ocuparam-se dos doentes nos hospitais, da instrução das jovens, das crianças abandonadas, dos galés, dos soldados feridos, dos refugiados, das pessoas idosas, dos dementes e outros…

Alguns anos mais tarde, convictos de que a Caridade de Cristo que deve impulsionar a Companhia não conhece fronteiras, os Fundadores enviaram à Polônia um primeiro grupo de Irmãs.

A 18 de janeiro de 1655, a Companhia foi aprovada pelo Cardeal de Retz, Arcebispo de Paris, e, a 8 de junho de 1668, recebeu a aprovação pontifícia do Papa Clemente IX.

A origem da Província de Curitiba está ligada à vinda das Irmãs polonesas ao Brasil no ano de 1904. Embora a Companhia já estivesse presente no país desde 1849 com a chegada das primeiras Filhas da Caridade francesas, essa nova presença responde a uma solicitação especial feita pelos imigrantes poloneses residentes no território paranaense. Conhecedores da missão da Irmãs em seu país de origem e desejosos de oferecer uma educação diferenciada para seus filhos, a comunidade de imigração polonesa solicita ao então bispo de Curitiba, Dom José de Camargo Barros, a mediação no pedido oficial aos Superiores Gerais e Provinciais da Polônia. Este mesmo procedimento havia sido assumido para a vinda da Congregação da Missão no ano anterior.

Provenientes da Província de Chelmno, as três primeiras Irmãs – Irmã Luísa Olsztynska, Irmã Natália Zietak e Irmã Leocádia Suchoswiat – saíram na Polônia no dia 05 de setembro de 1904, partindo de trem até a Casa Mãe, em Paris, onde permaneceram durante uma semana. No dia 17 deste mesmo mês embarcam a bordo do navio “Atlantique”, juntamente com outras vinte e três Filhas da Caridade e um Padre da Missão. Atracaram no Rio de Janeiro no dia 02 de outubro, onde passaram duas semanas hospedadas na Santa Casa, instituição dirigida pelas Filhas da Caridade na então capital do país, aguardando a finalização da construção da escola em Curitiba.

Em 1914, por exigência do governo brasileiro, as Irmãs polonesas precisaram prestar exames oral e escrito da Língua Portuguesa, e conhecimentos na área para continuarem a dirigir as escolas. Neste período, já haviam iniciado três outros estabelecimentos educativos no Paraná: Escola Santa Sofia, em Prudentópolis (1907); Escola Santa Clara, em Rio Claro do Sul (1912); e Escola São Vicente de Paulo, em Tomaz Coelho (1912).

Para somar na missão brasileira, a Província de Chelmno enviou outros grupos de Irmãs missionárias. Entre 1904 e 1937 vieram ao Brasil cinquenta Irmãs da Polônia em doze viagens.

Em cada viagem, as Irmãs traziam consigo baús com objetos para uso pessoal e da comunidade, roupas, paramentos, vasos sagrados, instrumentos musicais, medicamentos e dinheiro para a abertura de novas casas.

Em sua grande maioria, elas permaneceram definitivamente no país; algumas, por razões de saúde e adaptação com o clima, retornaram ao país de origem. Aos poucos, foram surgindo vocações autóctones, somando nos diversos serviços assumidos pela Comunidade.

Juntamente com a ação educativa, as primeiras Irmãs desenvolviam uma intensa atividade pastoral nas paróquias em que estavam estabelecidas, seja na liturgia, na catequese, no acompanhamento das Filhas de Maria ou nos trabalhos de cuidado do templo.

A Província de Curitiba conta atualmente com 330 Irmãs atuando em 49 obras que abrangem os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estas frentes de atuação se desenvolvem nas áreas da Educação, Saúde, Serviço Social, Inserções em Meios Populares e Casas de Pastoral. Quatro Comissões Especializadas articulam e acompanham esse trabalho a partir de objetivos específicos. Oito Irmãs atuam fora da Província, sejam em trabalhos na Casa Mãe (Paris), missões ad gentes e/ou em outra Província do Brasil.

O sentido de pertença e a convicção vocacional animam a Província, especialmente a Equipe de Formação, na tarefa de despertar, cultivar e acompanhar as jovens que se apresentam para conhecer e ingressar na Companhia. O itinerário formativo compreende desde o diálogo com as jovens em suas famílias e comunidades locais, à formação mais sistemática nas etapas do Postulado, Seminário e preparação para a Emissão dos Votos pela primeira vez. O projeto formativo contempla a integralidade da pessoa, atentando, sobretudo, aos aspectos humanos, espirituais e vicentinos.

 

Irmã Henez A Murbach

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